Respostas
da mestra Dean ao questionário
enviado por interessados no curso.
Considero que seria do interesse dos participantes,
nossas publicações e nosso livro (Frownfelter
D, Dean E (eds). Cardiovascular and Pulmonary Physical
Therapy: Evidence and Practice (4th ed). Elsevier:PA,
2006) que já foi publicado em Português,
e seria de grande auxílio para você.
Eu acredito, porém, que esta edição
foi esgotada. A versão em inglês está
disponível, no entanto estamos no momento
trabalhando nas revisões para a 5ª edição.
Seria bom ter acesso ao livro é o à
centenas de referências que criam base para
o que digo. Eu tenho alguns arquivos que encaminho
para vocês (vide abaixo).
Tendo dito isto, deixe-me responder suas perguntas.
1. Qual a importância da fisioterapia
para o paciente confinado ao leito?
O repouso restrito ao leito é muito
perigoso e deve somente ser utilizado por médicos
seletivamente. Há poucas indicações
para o uso contínuo do repouso no leito e
essas seriam condições hemodinâmicas
de instabilidade na unidade de terapia intensiva.
Não preciso nem falar, que queimaduras severas
Tendo dito isto, deixe-me responder suas perguntas.
as, por exemplo, fratura instável de coluna
e certas lesões crânioencefálicas
onde a complacência cerebral está baixa
mantendo assim uma pressão intracraniana
alta e baixa perfusão de pressão.
Estes exemplos são vistos nas UTIs e não
são de prática geral médica/cirúrgica
do fisioterapeuta.
Embora paciente claramente precisem de uma qualidade
de repouso, a posição horizontal não
é fisiológica e está associada
com efeitos negativos multisistêmicos significantes
incluindo a deficiência do transporte de oxigênio.
Esses efeitos negatives podem ser esperados a se
acentuarem em populações vulneráveis
assim como pacientes com morbidade, pessoas que
são mais idosas e pessoas acima do peso/obesas.
Os efeitos negativos mais importantes e muitas vezes
ignorados do repouso no leito estão relacionados
a hemodinâmica e a função pulmonar
alterada. O repouso constante no leito remove o
gradiente gravitacional vertical que é responsável
pela otimização da circulação
do volume sanguíneo e a otimização
do retorno venoso e débito cardíaco.
Durante esse repouso, os mecanismos de regulação
do volume e da pressão, mediados pelo sistema
nervoso autônomo, se tornam atenuados, e esse
efeito pode ocorrer dentro de horas ou dias. A produção
diurética hormonal está aumentada
e o volume de plasma é perdido, que em retorno,
reduz a circulação do volume sangüíneo,
um componente essencial para a troca de oxigênio
e débito cardíaco.
Em relação a função
pulmonar, todo volume pulmonar e capacidades estão
diminuídas nessa posição com
exceção do volume sanguíneo
fechado que está elevado. Estes refletem
restrição dos pulmões para
abrir devido à compressão dos órgãos
centrais e da víscera abaixo do diafragma.
As vias aéreas estão estreitas e a
tosse é menos eficiente. O aumento do volume
fechado que com o passar do tempo se torna mais
acentuado pelo efeito do envelhecimento contribui
para a dessaturação.
Para prevenir esses efeitos ou remediá-los
(claro que a prevenção é o
melhor), o paciente deve estar na posição
sentada (o mais ereto possível) e movendo-se
o máximo possível. Exercícios
leves de extremidade em adição à
deambulação devem também ser
incentivados o máximo possível. O
repouso é necessário para ajudar na
recuperação e para assegurar que o
paciente não esteja em risco, mas esteja
seguro. Para tomar essas decisões clínicas
e prescrever intervenções (isto é,
tipo e duração das posições
do corpo e mobilização), e o fisioterapeuta
deve avaliar o paciente em detalhe e avaliar as
respostas do paciente a essas intervenções.
Os parâmetros das prescrições
das intervenções são baseados
nas RESPOSTAS de cada paciente, ao investe do PROTOCOLO.
Isso precisa ser enfatizado. Desta forma, o paciente
é tratado especificamente de acordo com suas
necessidades e de uma forma segura (não inferior
ou além do que deve ser tratado). Isto é
bem descrito no assunto da UTI em um artigo nosso
publicado ano passado na Acute Care Perspectives.
2. Quais são os pontos principais
a serem avaliados em um paciente agudo?
Isto é uma pergunta bastante complexa.
Embora medidas objetivas e critérios como
freqüência cardiaca, pressão sanguínea,
freqüência respiratória, saturação
arterial e medidas subjetivas como falta de ar,
desconforto/dor são provavelmente em sua
maioria no que o fisioterapeuta precisa se guiar
em relação às apresentações
únicas e necessidades do paciente. Pacientes
irão ter diferentes necessidades dependendo
do que apresentam. Novamente, nosso livro e um artigo
meu seria de grande ajuda para você. O artigo
está na Cardiopulmonary Physical Therapy
Journal.
3. Qual o impacto, no dia a dia, que a cultura
e o ambiente podem ter nos pacientes em relação
a prevenção da morbidade?
Isto é uma pergunta extremamente importante
Benigno. A razão para ela ser tão
importante é que a maior parte da fisioterapia
contemporânea assim como a biomedicina se
origina nas culturas ocidentais com valores ocidentais.
Brasil por exemplo tem várias diferenças
culturais quando comparado ao Reino Unido, Canadá
e os EUA e esses países têm diferenças
entre si, mas talvez não tão nítido.
Uma observação que faço é
que muitas pessoas recebendo cuidados biomédicos
na comunidade, no hospital e na UTI estão
em condições que poderiam ter sido
prevenidas com um estilo de vida otimizado e escolhas
saudáveis e isso me preocupa fortemente.
Os fisioterapeutas são os líderes
em não invasiva, isto é, abordagens
sem utilização de drogas ou de procedimento
cirúrgico incluindo não fumar, nutrição
otimizada (verduras, frutas, um mínimo se
necessário de açúcar e sal,
particularmente gordura saturada, um mínimo
de alimentos processados, evitar pão branco
e sim preferir integral); exercícios e atividades
físicas diárias, boa qualidade de
sono e se submeter a um mínimo de estresse
– artigos sobre “A Fisioterapia no Século
21: Uma nova prática de paradigmas e implicações
baseada em evidências – para ter um
acesso mais fácil procure por Dean E. in
Physiotherapy Theory and Practice, 2009.
Os fisioterapeutas nos últimos anos não
têm sido tão responsivos como eles
deveriam ser para se direcionarem às condições
do estilo de vida, as principais causas de morte
prematuro no Brasil. Por favor pesquise o nosso
artigo no Brazilian Physiotherapy Journal no ano
passado ou retrasado sobre esse assuntos no Brasil
e como os fisioterapeutas no brasileiros precisam
mobilizar e liderar o resto de nós do mundo.
Há muitos fisioterapeutas que poderiam ser
utilizados de forma mais efetiva para ajudar a se
dirigir ao Brasil em assuntos de prioridade para
o cuidado médico. O artigo foi publicado
por Armele Dornelas de Andrade e eu mesmo.
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